O seu cliente enviou-lhe um questionário de segurança. E agora?
Recebeu um questionário de segurança de um cliente? Saiba porque chegou, o que perguntam e como responder sem perder o contrato. Guia prático da RTC.
Ler artigo →Dois em cada três ataques por email não trazem ficheiro nenhum, por isso o antivírus não os vê. Como funcionam e o que trava cada um.
Quando uma empresa é atacada, a conversa a seguir é quase sempre sobre o antivírus. Foi o antivírus que falhou? Precisamos de um melhor? Na esmagadora maioria dos casos que socorremos, a pergunta está no sítio errado, porque o ataque não entrou por onde se pensa.
Entrou pelo email. E na maior parte das vezes não trouxe vírus nenhum.
Este artigo explica como é que isso funciona na prática, porque é que as defesas habituais não apanham a versão moderna do problema, e o que trava mesmo cada um dos três tipos de ataque que chegam à caixa de correio de uma PME portuguesa. Escrevemo-lo a partir do que vemos no terreno: socorremos cerca de uma empresa por semana, e o padrão repete-se com uma regularidade aborrecida.
Chega um email do Microsoft 365, do banco ou de um fornecedor conhecido, a dizer que a caixa está cheia, que há uma fatura por ver ou que a password expira hoje. O link leva a uma página igual à verdadeira. A pessoa escreve o utilizador e a password, a página diz que houve um erro. A vida continua.
A partir daí não há malware nenhum na máquina. Há alguém autenticado na conta, a ler correio, a criar regras que desviam mensagens para pastas que ninguém abre, e a estudar como é que a empresa fala com os clientes. Podem passar semanas até se notar. Nenhum antivírus deteta isto, porque tecnicamente não aconteceu nada de errado no computador.
É a evolução do anterior e é o que causa prejuízos maiores. Com acesso ao correio, o atacante espera pela altura certa e responde a um fio de conversa que já existe, com o assunto certo, o histórico certo e o tom certo, a informar que os dados bancários mudaram. A fatura é verdadeira, e o valor também. Só o IBAN é que não.
Não há ficheiro suspeito para analisar, não há link estranho, e a mensagem vem de um endereço legítimo ou de um domínio parecido com o do fornecedor. É por isso que engana pessoas atentas e competentes, e é por isso que a explicação nunca deve ser "quem é que caiu nesta".
É o clássico, e é o que já quase toda a gente reconhece: o anexo que pede para ativar macros, o ficheiro comprimido com password no corpo do email para escapar à análise, o instalador disfarçado. Este pode acabar em ransomware, com os ficheiros cifrados e um pedido de resgate.
É o mais visível dos três, e hoje é também o menos frequente. Continua a ser o que dá mais trabalho a reparar.
O antivírus faz o que sempre fez, e fá-lo bem: apanha ficheiros maliciosos. O problema é que dois dos três ataques acima não têm ficheiro nenhum. Uma página de login falsa não é um vírus. Um email a pedir para mudar o IBAN não é um vírus. São conversas.
O filtro de spam também ajuda, mas foi construído para separar publicidade não pedida de correio legítimo, não para detetar que a mensagem legítima que está a ler foi escrita por outra pessoa que entrou na conta do seu fornecedor.
E há um pormenor que apanha muita gente de surpresa: quando alguém envia emails em nome do seu domínio, o problema vive na configuração pública do domínio. O seu servidor pode estar impecável. Se o seu domínio não disser à internet quem está autorizado a enviar em nome dele, qualquer pessoa pode escrever aos seus clientes assinando com o seu nome, e o email chega à caixa de entrada deles com ar de verdadeiro.
Esta ordem não é aleatória. É a que corresponde ao que vemos parar ataques na prática, e não ao que é mais fácil de vender.
É a única medida desta lista que sozinha anula por completo o ataque número um. A password roubada fica inútil. As exceções são o problema: a conta da gerência, a conta partilhada da contabilidade, a conta antiga de um colaborador que saiu. É sempre por uma dessas que se entra.
Contra o ataque número dois não há tecnologia que chegue, porque a mensagem é legítima. O que funciona é uma regra simples e sem exceções: nenhuma alteração de IBAN é aceite por email, confirma-se sempre por telefone, para um número que já tínhamos antes, nunca para o número que vem na mensagem. Custa zero euros. Evita a perda mais cara desta lista.
São três registos que dizem à internet quem pode enviar email em seu nome. Sem eles, o seu domínio pode ser usado para enganar os seus clientes, e o seu próprio correio legítimo tem mais probabilidade de cair no spam deles. O Centro Nacional de Cibersegurança publica uma recomendação técnica sobre isto e existe uma ferramenta pública portuguesa, o WEBCHECK.PT, onde qualquer pessoa pode ver como está o seu domínio. Demora dois minutos.
Isto surpreende quase toda a gente. O fornecedor de correio promete que o serviço está disponível, não que os seus dados são recuperáveis meses depois. No Microsoft 365, uma mensagem apagada e depois removida dos itens eliminados fica recuperável por um período curto, por omissão catorze dias, e depois desaparece. Quem descobre a fraude ao fim de um mês descobre também que o rasto foi apagado pelo próprio atacante.
Mostrar exemplos reais de mensagens que chegaram àquela empresa vale mais do que uma sessão sobre segurança em geral. E a mensagem mais importante a passar não é "tenham cuidado": é quem achar que clicou onde não devia avisa já e não é repreendido por isso. As empresas onde as pessoas escondem o erro por vergonha são as que descobrem tarde, e descobrir tarde é o que faz de um susto um prejuízo. Vergonha sai cara.
As primeiras horas contam, e a reação instintiva costuma ser a errada. Não apague as mensagens suspeitas nem reinstale o computador antes de alguém olhar: é assim que se destrói a informação que permite perceber por onde entraram e o que levaram.
Mude as passwords a partir de outro equipamento, ative a autenticação em dois passos, verifique se foram criadas regras de reencaminhamento na caixa de correio, e avise os clientes e fornecedores com quem trocou mensagens no período em causa. Se houver dados pessoais envolvidos, há prazos legais de comunicação a cumprir, e eles são curtos.
Para o anexo, ajuda muito. Para o roubo de credenciais e para a fraude do IBAN, não, porque nenhum dos dois envolve software malicioso. Faltam a autenticação em dois passos e o procedimento para alterações bancárias.
A maior parte destes ataques não escolhe alvo, é automático, e as empresas pequenas são as que menos costumam ter dois passos ativos. Das que socorremos, a maioria tem menos de vinte pessoas.
É uma decisão de gestão e não nos cabe tomá-la por ninguém, mas há factos a pesar: pagar não assegura a recuperação, identifica a empresa como pagadora, e não elimina o acesso por onde entraram. Quem tem cópias testadas raramente chega a colocar a questão.
Em dois minutos, no WEBCHECK.PT, sem instalar nada e sem contratar ninguém.
Socorremos empresas nesta situação todas as semanas, com ou sem contrato connosco. Fica sempre um relatório. Escrito, e com tudo: o que aconteceu, por onde entraram, o que foi reposto, o que estava em falta. Entregamo-lo mesmo a quem não é cliente, e a quem não tenciona vir a ser.
Mas a parte que interessa é outra. Quase tudo o que está neste artigo é barato e faz-se antes: a autenticação em dois passos, o procedimento do IBAN e a verificação do domínio cabem, cada um, numa tarde de trabalho. Se quiser saber como está hoje, o diagnóstico não custa nada e diz-lhe onde está e para onde deve ir. Diga-nos.
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Ler artigo →Este artigo foi escrito por quem faz o trabalho. Se lhe levantou uma pergunta sobre o caso concreto da sua empresa, a resposta é mais rápida ao telefone do que por escrito, e quem atende é um técnico.
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